Design de Fachadas e Desempenho Ambiental no Chiado – Descrição Climática da Região

As características climáticas do local, são condicionantes essenciais a considerar nas trocas térmicas entre a envolvente do edifício e o ambiente exterior.

Lisboa é uma das cidades da Europa com maior disponibilidade de radiação solar com valores na ordem de 2800 horas de insolação por ano, atingindo os valores máximos nos meses de Julho e Agosto, altura em que o Sol se encontra bastante elevado, e atingindo os valores mais baixos nos meses de Inverno (INMG, 1991).

Insolação Média em Portugal

As amplitudes entre o Inverno e o Verão da temperatura média do ar em Lisboa, podem atingir uma diferença de mais de 10ºC (Figura 1). Quanto às temperaturas extremas, os valores atingem nos meses de Verão entre os 38 e os 41ºC e cerca de 0,5ºC nos meses de Inverno (INMG, 1991).

O Chiado encontra-se numa zona urbana densamente ocupada, com grande capacidade de acumulação térmica dos edifícios. Os materiais que compõem os edifícios e a sua envolvente têm maior conductividade térmica e capacidade calorífica que as zonas revestidas de arbustos e florestas, pelo que armazenam em maior quantidade a energia da radiação solar. A energia calorifica acumulada durante o dia pelos edifícios é libertada durante a noite, impedindo o arrefecimento rápido da atmosfera urbana, o que irá alterar o ciclo diurno da temperatura (Azevedo, 1982).

Construção Sustentável

Figura 1 – Temperatura do ar em Lisboa (ºC) – valores extremos e médios mensais (INMG, 19911)

1- Os dados climáticos fornecidos pelo Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica  referem-se à estação Geofísico / Lisboa , por ser a estação mais próxima da zona em estudo,  com as coordenadas de 38º43’ de latitude e 9º09’ de longitude e 77m de altura, obtidas segundo as convenções internacionais de clima a um período de 30 anos abrangendo o período entre 1961 e 1990 (INMG, 1991)

Quanto aos valores observados da humidade relativa do ar, verifica-se que nos valores mensais médios, registados nos meses de Julho, Agosto e Setembro correspondem os valores mais baixos, entre 55 e 65%, e os meses de Janeiro e Dezembro com os valores mais altos, entre 75 e 80% (Figura 2). Segundo o critério convencional da classificação de climas quanto à humidade do ar, Lisboa com uma média anual de 71% classifica-se como clima seco – média anual da humidade relativa maior que 55% e menor que 75% (Gomes, 1962).

Humidade relativa em Lisboa

Figura 2 – Humidade relativa em Lisboa (%) – valores extremos e médios mensais (INMG, 1991)

Relativamente ao número de graus-dia de aquecimento e arrefecimento1, estes não constituem propriamente um dado climático, mas têm particular interesse para o cálculo das necessidades de aquecimento e arrefecimento nos edifícios. Estes valores são disponibilizados em publicações, pelo Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica e pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (INMG/LNEC, 1987).

O meio de representação do clima mais conhecido é o gráfico psicométrico, apresentado na secção seguinte, que permite compreender as condições climáticas representando a combinação entre a temperatura de bolbo seco e molhado, a humidade relativa do ar e a pressão atmosférica.

O design das fachadas no Chiado

Os edifícios no Chiado incluídos no novo alinhamento de ruas e quarteirões do Plano de 1758, embora sejam considerados edifícios pombalinos afastam-se pela presença de bastantes elementos decorativos nas fachadas ao contrário da austeridade e rigidez do design das fachadas dos edifícios da Baixa Pombalina. (Mascarenhas, 2004)

Actualmente os tipos de fachada na zona do Chiado marcam ainda pela presença de fachadas tipo gaiola pombalina com estrutura mista de alvenaria e madeira. Nos edifícios que foram objecto de reconstruções a maioria possui uma estrutura em betão armado mantendo a alvenaria original no exterior, à excepção dos edifícios onde a fachada foi totalmente reconstruída com alvenaria corrente de tijolo cerâmico furado.

Construção Sustentável - Design das fachadas no Chiado

A fachada tipo gaiola pombalina

As fachadas tipo gaiola pombalina com estrutura mista de alvenaria e madeira devem-se após o terramoto de 1755 à necessidade de resolução de alguns problemas relacionados com a rapidez da construção, a dimensão da obra e com as preocupações de melhoramento do comportamento sísmico dos edifícios.

Durante a construção destes edifícios devido à sua grande composição estrutural em madeira esta veio a ser designada por gaiola pombalina embora se desconheça a sua origem e não exista nenhum documento que especifique a sua obrigatoriedade foi considerada na época como a mais apropriada à construção.

As fachadas delimitam o exterior dos quarteirões e dos saguões centrais e eram construídas com pedras irregulares aparelhadas com argamassa de cal aérea e fragmentos de pedra ou cerâmica. Estas paredes têm uma espessura ao nível do piso térreo de cerca de 0,90 m, reduzindo de piso a piso. (Fernando Pinho, 2000)

Ao nível do piso térreo as fachadas são ligadas transversalmente por outras paredes de alvenaria de pedra que servem por vezes de paredes meeiras, paredes que dividem os lotes dentro do quarteirão e se prolongam acima do telhado de modo a evitar a propagação do fogo entre edifícios. (Fernando Pinho, 2000)

Nos pisos superiores a fachada é constituída por paredes em alvenaria de pedra com a estrutura em madeira no seu interior, composta de prumos e travessanhos, e as cantarias dos vãos no exterior. Estes elementos são ligados por ensambladuras (encaixes) mais ou menos complexos dependendo de cada edifício e por peças metálicas pregadas na madeira. Os travessanhos ligam-se à parede da fachada por peças de madeira denominadas de mãos que ficam embebidas na alvenaria perpendiculares a esta ou por vezes oblíquas. As cantarias dos vãos são fixas à estrutura em madeira através de peças metálicas chumbadas entre as juntas das cantarias de modo a não serem projectadas para a via em caso de sismo. No último piso as fachadas são rematadas com uma cimalha com beiral. (Mascarenhas, 2004)

Construção Sustentável - Design das fachadas no Chiado

A estrutura de madeira no interior da fachada, composta pelos prumos e travessanhos, é interrompida nos vãos por uma verga e pendurais em madeira. A abertura dos vãos na parede de alvenaria é composta por arcos rectos ou archetes de tijolo ou ladrilho cerâmico acima do vão e abaixo da pedra de peitoril. O pano de peito é composto por alvenaria de tijolo de pequena espessura.

Os prumos no interior da fachada são descontínuos à medida que a espessura das paredes diminui de um piso para outro assentando entre duas vigas em peças de madeira denominadas de chincharéis e ligadas na parte superior ao frechal do pavimento superior. (Fernando Pinho, 2000)

No interior as fachadas são travadas por paredes denominadas de frontal constituídas por prumos, travessas e diagonais em madeira, que eram posteriormente preenchidas com uma alvenaria ligeira, constituídas por pequenas pedras e elementos cerâmicos assentes com argamassa de cal, e revestidas com reboco e estuque. As paredes de frontal a partir do primeiro piso são contínuas entre pisos e são ligadas ao vigamento dos pavimentos por peças de madeira colocadas na diagonal. Estas paredes para além de servirem de contraventamento das paredes de fachada funcionavam como elementos divisórios dos espaços interiores do edifício. (Mascarenhas, 2004)

As tipologias de fachada foram desenhadas paralelamente ao Plano de 1758 de forma a que se pudessem dar o início das obras de reconstrução, as propostas apresentadas na segunda Dissertação de Manuel da Maia onde os tipos de fachada seriam desenhados reforçando a hierarquia de ruas definida pela grelha de quarteirões seria seguida por Eugénio dos Santos nos desenhos finais das fachadas para as ruas principais acrescentando aos desenhos anteriores mais um piso. (Maria Helena Ribeiro dos Santos, 2000)

Basicamente estes tipos de fachadas apresentavam-se com cinco pisos, no piso térreo com vãos mais largos e com uma altura superior que nos restantes pisos de modo a instalarem o comércio, no primeiro piso com janelas de sacada, no segundo e no terceiro com janelas de peito em continuidade com as restantes e no quarto piso com águas furtadas colocadas de modo irregular. (Maria Helena Ribeiro dos Santos, 2000)

Estas tipologias de fachadas são classificadas segundo José Augusto França em três tipos principais designados por tipos A, B e C. Onde o ritmo e o tipo de vãos são idênticos variando apenas na pormenorização dos vãos e das suas cantarias, dependendo a sua aplicação segundo uma hierarquia de ruas de maior ou menor importância. (José-Augusto França, 1989)

O tipo A assinado por Eugénio dos Santos apresentava uma maior riqueza de pormenores, destinadas às ruas principais ou nobres que subiam do Terreiro do Paço em direcção ao Rossio, como por exemplo a Rua Augusta, da Prata ou do Ouro. Neste tipo de fachada as vergas das cantarias das portas e janelas eram recortadas e a do quarto piso apresentava uma cornija que se ligava à cimalha, ornamentada com uma peça de fecho. As peças de cantaria laterais desciam abaixo das pedras de peitoril simulando consolas. As janelas de sacada do primeiro piso possuíam um rodapé de ligação entre as cantarias do vão e uma faixa em pedra entre o primeiro piso e o segundo. Cada porta do piso térreo possui uma janela em bandeira e as águas furtadas são ornamentadas com aletas decorativas.

O tipo B menos rico em pormenores destinava-se às ruas secundárias perpendiculares às ruas principais ou paralelas, como por exemplo a Rua de S. Julião ou a dos Fanqueiros. Neste tipo de fachada as cantarias dos vãos já não são recortadas apresentando cantarias rectas. A pedra superior aos vãos de sacada e a pedra de fecho das cantarias dos vãos do último piso desapareceram, conservando a cornija ligada à cimalha e as peças de cantaria laterais que descem abaixo dos peitoris.

O tipo C destinava-se a ruas paralelas às ruas principais mas de menor importância por serem mais curtas e estreitas, como por exemplo a Rua dos Douradores. Neste tipo de fachada as janelas do primeiro piso são janelas de peito, as cantarias dos vãos são simplificadas a rectângulos enquadrando o vão e as cantarias dos vãos no piso térreo são também simplificadas.

Estes tipos de fachada podem também apresentar composições conjugando o tipo B e C, mas sem janelas de sacada, como por exemplo na Rua da Conceição ou de Santa Justa.

Construção Sustentável - Design das fachadas no Chiado

No Chiado o terramoto de 1755 destruiu grande parte dos edifícios mas como o processo de reconstrução realizou-se mais tarde que na Baixa, sobretudo a partir de 1780, foram alteradas algumas tipologias iniciais e surgiam novas composições das fachadas. Com os prazos a serem alargados e as pressões das encomendas da nova população do Chiado, a burguesia ascendente com um perfil social e económico diferente, vão introduzir uma nova tipologia de palacete com valores barrocos contrária à rigidez e austeridade das tipologias de fachada da Baixa.

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Nos alçados existentes em arquivo na Câmara Municipal de Lisboa encontram-se alguns exemplares correspondentes a ruas no Chiado onde se pode observar que algumas tipologias iniciais foram mantidas, como por exemplo nos alçados da Rua do Carmo lado Poente e da Rua Nova do Almada lado Nascente que correspondem a uma tipologia de fachada A, adaptada à inclinação da pendente da encosta do Chiado.

A adaptação do desenho das fachadas à inclinação da encosta é executada com base na altura do pé-direito do piso térreo acrescentando em alguns casos uma sobreloja onde a cantaria do vão da loja e da sobreloja é um conjunto que apresenta múltiplas variantes. (Mascarenhas, 2004)

Na Rua Garrett o desenho do alçado do lado Norte apresenta uma composição de cinco quarteirões entre a Rua do Carmo e as casas do Mamposteiro Mor, actual Rua Nova da Trindade, seguindo o desenho urbano do Plano. Embora os quarteirões não tenham sido construídos segundo o Plano a composição dos alçados manteve-se com a repetição dos vãos e cantarias recortadas do primeiro piso para o segundo piso. Esta tipologia de fachada encontra-se também na Baixa em travessas de menor importância definindo topos de quarteirões que acompanham a composição de ruas principais ou secundárias.

Construção Sustentável - Design fachadas no Chiado

Ao longo de dois séculos em função das alterações das necessidades da população o design das fachadas e o interior dos edifícios foram-se alterando principalmente ao nível do piso térreo. O comércio que se instalava no Chiado necessitava de espaços maiores de venda e armazenamento aumentando a sua área para caves, pátios ou logradouros alterando o desenho urbano e a estrutura original dos edifícios. A exigência de vãos mais rasgados com montras que disponibilizassem a mostra dos produtos em venda descaracterizavam a modulação dos vãos ao nível dos pisos térreos e os alinhamentos com os eixos dos vãos dos pisos superiores alterando a composição das fachadas pombalinas.

Construção Sustentável - Design das fachadas no Chiado

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As fachadas tipo estrutura mista de betão e alvenaria

Com o incêndio em 1988 e uma parte da zona do Chiado destruída existia a necessidade da Câmara Municipal de Lisboa estabelecer um plano de intervenção sobre as fachadas dos edifícios devido à sua forte composição histórica, cultural e social.

A proposta para a recuperação das fachadas elaborada pelo Gabinete do Chiado propunha a substituição das estruturas de madeira por uma estrutura autoportante em betão armado onde as fachadas de alvenaria originais se mantêm no exterior por meio de ancoragens à estrutura do edifício. No caso das fachadas totalmente destruídas pelo incêndio a proposta incluía a reconstrução destas fachadas mantendo as características arquitectónicas originais ao nível da composição dos alçados no seu todo, confrontando as fachadas tipo do Plano de 1758, a aplicação tardia de regras pombalinas e as sucessivas alterações que os edifícios vieram sofrendo.

A construção da estrutura em betão armado inicia-se no piso da cave contendo as terras lateralmente e eleva-se aos pisos superiores ligada a elementos resistentes em betão armado localizados no interior das fachadas. Os núcleos centrais de comunicações verticais são construídos com paredes resistentes em betão armado localizados junto à fachada tardoz dos edifícios e toda a estrutura encontra-se interligada por um sistema de pórticos em betão armado.

Construção Sustentável - Design das fachadas no Chiado

Confrontando as sucessivas alterações que os edifícios sofreram com os alçados actuais podemos observar que por exemplo no alçado da Rua do Carmo manteve-se a composição dos desenhos de fachada de Eugénio dos Santos em 1758 repondo ao nível do piso térreo o alinhamento vertical dos vãos e enquadrando na sua composição o rasgar de uma abertura em túnel ao pátio no interior do quarteirão. Com o redesenho das fachadas Siza manteve a austeridade e rigidez do desenho dos vãos do Plano de 1758 eliminando do desenho os elementos decorativos acrescentados.

Construção Sustentável - Design das fachadas no Chiado

Construção Sustentável - Design das fachadas no Chiado

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A composição dos alçados no Plano de Pormenor da Zona Sinistrada do Chiado apresentam também algumas inovações no que diz respeito aos alçados dos edifícios no interior dos pátios interiores. Com a redução da profundidade dos edifícios houve a necessidade de se desenhar alçados que não existiam anteriormente. A criação destes alçados por Siza seguiu o rigor e a sobriedade das composições pombalinas com janelas de peito com diferentes dimensões seguindo um enquadramento vertical e uma hierarquia entre pisos apenas interposta nas janelas dos vãos de escada desalinhadas horizontalmente das restantes, anunciando a presença de uma diferença de cotas no interior. Esta situação não ocorria nos desenhos dos alçados pombalinos quando os patamares se encontravam junto às fachadas dos edifícios, nestes casos os vãos mantinham-se alinhados horizontalmente pelos restantes.

Construção Sustentável - Design das fachadas no Chiado

As fachadas dos edifícios no Chiado fora do Plano de Pormenor mantêm maioritariamente as suas características pombalinas ou tardo pombalinas exceptuando alguns casos onde os edifícios foram demolidos e as suas fachadas substituídas por fachadas com uma linguagem moderna. Muitas destas fachadas foram sendo alteradas algumas ainda durante o processo de reconstrução com o acrescento de mais um piso sobre a cornija ou alguns elementos decorativos que foram acrescentados.

Construção Sustentável - Design das fachadas no Chiado

Construção Sustentável - Design das fachadas no Chiado

A construção de edifícios em diferentes épocas e as alterações que vieram sofrendo ao longo dos tempos são bastante notórias em certas ruas, como por exemplo no alçado da Rua Ivens. Juntamente com os acrescentos de mais pisos surgem varandas corridas por cima da cimalha e varandas no terceiro piso semelhantes às dos primeiros pisos ou intercaladas conforme cada proprietário o desejou. As águas furtadas são alteradas para mansardas elevando a altura da cumeeira ou são criados novos pisos acima das águas furtadas, alterações estas adaptadas às necessidades de cada proprietário. No piso térreo os vãos rasgados pelas lojas dão lugar por vezes a entradas de estacionamentos construídas em cave nos edifícios.

Construção Sustentável - Design das fachadas no Chiado

O desenho das fachadas actuais no Chiado reflecte uma flexibilidade a que durante séculos foram sendo sujeitos os edifícios ao contrário da rigidez e austeridade dos alçados do Plano de 1758, reflectindo no seu exterior a passagem de diferentes épocas e exigências diferentes por parte dos seus proprietários.

Construção Sustentável - Design das fachadas no Chiado

Construção Sustentável - Design das fachadas do Chiado

Casas Modulares Treehouse Spot

Casas Modulares Treehouse Spot

Viver, Trabalhar ou Divertir-se. É a proposta da Jular com as Casas Modulares Treehouse Spot, montadas num curtíssimo espaço de tempo.

Estas casas modulares Treehouse Spot são produzidas em fábrica, com um sistema planificado e desenvolvido pela Jular. Embora a montagem seja fácil e de rápida execução, não foram esquecidas as qualidades dos materiais e o seu design. Tudo isto num espaço de 20 m2.

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Qualidade certificada

O material de construção utilizado maioritáriamente na Treehouse Spot é a madeira, todos os componentes que integram as casas modulares estão de acordo com a certificação PEFC. Os materiais utilizados para o isolamento térmico e acústico actuam perfeitamente e respeitam o meio ambiente e a saúde.

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Durabilidade

O revestimento do exterior é um standard de painéis cimentícios, não hvendo necessidade de manutenção. A membrana de poliolefina flexível (FPO) aplicada na cobertura tem uma garantia de 10 anos, excedendo esse periodo na maior parte dos casos, entre 25 e 30 anos.

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Utilização

As Casas Modulares Treehouse Spot são a opção para ter um refúgio no campo, na praia, ou no jardim! Pequenos aldeamentos ou alojamentos para férias são construídos num espaço de tempo muito curto, com custos baixos e controlados de instalação e manutenção.

Eficiência energética e conforto

A construção da Treehouse Spot garante um elevado nível de conforto e uma alta eficiência energética. É totalmente isolada nas paredes, chão e tecto e as paredes exteriores ventiladas, mantendo um ambiente sempre agradável a ser utilizado.

Casas Modulares Treehouse Spot

Planificadas

As Treehouse® Spot são comercializadas e planificadas em ‘kit’. São transportadas em contentores de 20″, o que torna possível serem facilmente entregues em qualquer parte do mundo. As casas modulares vêm com um plano de montagem e não precisa de ser um especialista para montar uma Treehouse Spot!

Fácil instalação

A Treehouse Spot está pensada para que seja montada por apenas 2 pessoas, sem qualquer necessidade de equipamento pesado. Não são necessárias fundações, os kits podem ser colocados sobre pequenos pilares de cimento ou estacas de madeira, desde que as vigas da base não toquem no solo.

Circuitos eléctricos pré-montados

Os circuitos eléctricos são fornecidos num sistema pré-fabricado, tornando a instalação ainda mais fácil e rápida.

Mobilidade

Imagine que descobriu um novo “Spot”! Tal como facilmente foi montada, a Treehouse Spot também pode ser desmontada e remontada, sempre que descobrir um novo refúgio!

Apoio técnico

A Jular disponibiliza todo o apoio técnico e aconselhamento necessário através da sua equipa comercial e do seu gabinete técnico.

Escolha os materiais

Os revestimentos, exterior e interior podem ser escolhidos pelo cliente, de entre uma variada gama de materiais, alterando o design e o preço. O revestimento exterior standard é feito com painéis de base cimentícia, pelo seu excelente comportamento e durabilidade.

Casas Modulares Treehouse SpotCasas Modulares Treehouse Spot

Para mais informação, orçamentos ou outras questões, preencha o formulário que se segue.

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A Baixa, 25 de Agosto de 1988 (Álvaro Siza, 2000)

O Plano de Pormenor para a Zona Sinistrada do Chiado

Com a destruição total ou parcial de 17 edifícios na zona do Chiado na madrugada do dia 25 de Agosto de 1988, o Presidente da Câmara de Lisboa, na altura Nuno Abecassis, convida o arquitecto de reputação internacional Álvaro Siza para a elaboração de um plano de recuperação. Sendo também criado o Gabinete de Recuperação do Chiado sob a direcção do Engenheiro Pessanha Viegas que efectua a coordenação geral e a assessoria técnica.

O plano de recuperação do Chiado seria uma solução muito delicada para uma zona do centro histórico de Lisboa com características muito particulares como é a zona do Chiado. O Gabinete de Recuperação do Chiado tinha como objectivos recuperar e renovar edifícios afectados pelo fogo, reconstruir edifícios que foram destruídos, proporcionar uma integração adequada na zona e simultaneamente revitalizar uma zona que tinha perdido os seus habitantes e promover a recuperação por parte do comércio, anteriormente enfraquecido.

A Baixa, 25 de Agosto de 1988 (Álvaro Siza, 2000)

Em 1990 foi então aprovado o Plano de Pormenor para a Zona Sinistrada do Chiado elaborado pelo Arquitecto Álvaro Siza e orientado por princípios definidos pela Câmara Municipal de Lisboa sob a direcção do Gabinete de Recuperação do Chiado. O Plano era composto por aspectos como a ocupação, o uso e a transformação do solo, as condições gerais de renovação, consolidação, reconstrução e adaptação ao Plano dos edifícios integrados na sua área.

Para a resolução dos aspectos técnicos da recuperação urbana e arquitectónica desta zona o Plano exigiu um levantamento rigoroso do espaço urbano e dos edifícios, que durante várias centenas de anos foram sendo adulteradas, como pátios interiores ocupados com construções e alterações na arquitectura dos edifícios. E embora a recuperação mantivesse a imagem antiga da zona respeitando o Plano de 1758 e cumprindo a expectativa de grande parte da população, as exigências actuais por parte dos habitantes em relação ao espaço urbano são em alguns aspectos diferentes dos da altura e os Planos debatem-se entre soluções ideais e questões de especulação imobiliária.

Planta baseada em Álvaro Siza, 2000

Os princípios definidos no Plano tinham como objectivo principal preservar o valor arquitectónico dos edifícios, a maior parte pombalinos, como também o valor ambiental e cultural. Ao nível do uso do solo os princípios definidos permitiam uma forma urbana mais sustentável através da mistura de espaços de comércio, serviços, habitação e lazer. Revitalizando assim uma zona abandonada pela população ao atraír uma percentagem da população com habitações de tipologia diversificada, promover o comércio, a cultura e o lazer. Segundo o Plano de Pormenor para solucionar alguns destes problemas estabeleceu-se o condicionamento de uso das áreas a reconstruir segundo os seguintes princípios: (Álvaro Siza, 1990)

  • Comércio: visando o regresso das empresas ao local, incluindo comércio de abastecimento diário, promovendo uma inversão da progressiva decadência anterior ao incêndio;
  • Habitação: com índices de ocupação entre 30 e 40% predominantemente dos tipos T1 e T2, e de qualidade diversificada
  • Equipamentos: hotelaria, cultura e lazer

A criação entre 30 a 40% de habitação no Chiado com o Plano de Reconstrução pretendia revitalizar esta zona abandonada pela população antes do incêndio e invadida por escritórios e empresas, uma situação que se estende à zona da baixa pombalina e que ocorreu em quase todos os centros históricos das cidades europeias.

O condicionamento de áreas de uso nos edifícios a reconstruir foi estabelecido em regra geral destinando os dois primeiros pisos ao comércio, dois pisos a serviços e os últimos dois pisos à habitação, à excepção dos edifícios dos Armazéns do Chiado, Grandella e o edifício Jerónimo Martins ocupados exclusivamente com áreas comerciais e de serviços.

No que diz respeito à melhoria da circulação pública viária e pedonal na área de intervenção do Plano de Pormenor foram contempladas algumas alterações como a reabertura da Rua do Carmo ao trânsito condicionado de veículos ligeiros, a abertura de um túnel de acesso entre a estação de metropolitano e a Rua do Crucifixo e um novo percurso por escadas entre a Rua do Crucifixo e a Rua Nova do Almada.

As medidas definidas pela Câmara Municipal de Lisboa que envolviam uma solução global do Plano de Pormenor incluíam a demolição no interior dos quarteirões de todas as construções ilegais existentes que progressivamente se foram instalando permitindo assim a abertura de dois pátios interiores nos quarteirões.

A abertura dos pátios interiores aos quarteirões no Plano de Pormenor vieram a revelar-se de extrema necessidade para a “respiração” dos espaços urbanos, para a circulação pedonal, para a criação de maior luminosidade no interior dos edifícios e para a instalação de espaços de lazer, como lojas, cafés e esplanadas.

Planta de zoneamento público

Após o incêndio de 1988 foi constituído pelo Governo o Fundo Extraordinário de Ajuda à Reconstrução do Chiado (FEARC) para ajudar no esforço de reconstrução do conjunto urbano do Chiado, como a duração da reconstrução foi muito demorada e não se cumpriram os objectivos esperados criou-se em 2002, com as disponibilidades financeiras remanescentes, o Fundo Remanescente de Reconstrução do Chiado (FRRC). Este tem vindo a apoiar proprietários de edifícios em obras de reabilitação e conservação, a valorizar monumentos, a reabilitar espaços de fruição colectiva e a dinamizar artística e culturalmente a zona do Chiado. Com estes incentivos financeiros, o apoio da Câmara Municipal de Lisboa com o programa Renascer Lisboa e as parcerias com o RECRIA, REHABITA, RECRIPH e a EPUL e a apresentação da candidatura a Património Mundial da zona da Baixa Pombalina têm vindo a ser notórios os esforços de revitalização e requalificação da zona do Chiado.

O projecto de reconversão do quarteirão entre a Rua Garrett e a Travessa do Carmo é um dos exemplos do esforço de revitalização da zona do Chiado. Este quarteirão é formado por edifícios na sua maioria do séc. XIX e um pátio interior que fora ocupado por edifícios de carácter provisório e com falta de ordenamento. Os objectivos de requalificação deste espaço urbano foram a recuperação dos edifícios para uso de serviços e habitação, e a fruição pública do pátio interior permitindo o atravessamento do quarteirão recuperando percursos pré pombalinos.

Outro tipo de intervenção urbana na zona do Chiado é o projecto do complexo de habitação Terraços de Bragança que se situará numa área urbana consolidada entre a Rua do Alecrim e a Rua António Maria Cardoso. Este projecto distingue-se dos restantes projectos na zona do Chiado pela linguagem mais “moderna” do design das fachadas e pelas suas características construtivas dado que não se trata de um projecto de reabilitação mas de um projecto de um conjunto de edifícios totalmente “novos”.

Planta Topographica da Cidade de Lisboa arruinada, e também segundo o novo alinhamento dos architétos Eugénio dos Santos, e Carvalho, e Carlos Mardel

Enquadramento histórico do Chiado

A origem do Chiado

A urbanização desta zona fez-se no séc. XIV em função da muralha mandada construir pelo Rei D. Fernando cuja porta, a de Santa Catarina, uma das mais importantes portas da muralha, se situava onde actualmente é o Largo do Chiado. No séc. XVI com o loteamento do Bairro Alto e a formação das paróquias do Loreto e de Santa Catarina, assistiu-se à expansão da zona ocidental extramuros, esta zona era habitada por gente humilde mas com o aparecimento de novas actividades ligadas ao comércio acabou por ser urbanizada e o perfil social e económico dos seus habitantes foi-se modificando. A importância social e económica da zona do Chiado para a cidade de Lisboa começa-se a verificar a partir do séc. XVII com a instalação de modistas e confeitarias atraindo a aristocracia da capital e visitantes estrangeiros.

A reconstrução da baixa de Lisboa após o terramoto

No dia 1 de Novembro de 1755 Lisboa era sacudida por um violento sismo que deflagrou num incêndio com enormes proporções que devastou a baixa da cidade, centro político, comercial e económico da capital, da catástrofe resultaram cerca de 10.000 mortos, 2.000 fogos destruídos e mais de 12.000 casas com graves estragos.

Desta catástrofe resultou porém um plano de reconstrução urbanístico e arquitectónico que viria a transformar o centro da capital do país. O estudo da situação e a proposta de soluções técnicas mais adequadas é incumbida a Manuel da Maia, engenheiro militar do reino, um homem com experiência de vida, rigoroso e prático. O plano é então aprovado por Marquês de Pombal, na altura Sebastião José de Carvalho e Melo, secretário de Estado, e posto em execução pelo Rei D. José em 1758. O Marquês de Pombal tinha estado em contacto com o Iluminismo europeu em Londres e Viena aliando os seus conceitos com os técnicos que elaboraram o Plano, transformando a baixa de Lisboa num exemplo significativo de uma cidade do Iluminismo. (José-Augusto França, 1989).

Gravura de Lisboa no terramoto de 1755, Serôdio Armando, 1964

(Figura retirada de Arquivo fotográfico, http://arquivomunicipal.cm-lisboa.pt)

As primeiras medidas tomadas logo após o sismo revelaram um controle imediato da situação que era necessária para a aplicação do plano de reconstrução. Estas medidas consistiam no levantamento com descrições exactas das várias casas, ruas e praças, os nivelamentos topográficos e a proibição por decreto que impedia qualquer construção nova.

A análise de todas as hipóteses de reconstrução é iniciada por Manuel da Maia organizando-se três equipas de trabalho que desenvolvem a solução entretanto decidida apresentando 6 planos possíveis. Os principais problemas a serem resolvidos diziam respeito principalmente aos dados da cidade antiga e as relações entre as praças e a localização das Igrejas. O plano escolhido foi o do capitão Eugénio dos Santos que explorava e clarificava a relação entre as praças principais e as ligações entre as colinas e o rio. Para as várias tarefas que eram necessárias realizar foi fundado um gabinete próprio a Casa do Risco das Obras Públicas. (José-Augusto França, 1989)

A Casa do Risco era composta por arquitectos-engenheiros com forte formação militar por isso as decisões que eram tomadas tinham um grande aspecto rigoroso e prático. Para a chefia da Casa do Risco foi escolhido Eugénio dos Santos ajudado por Carlos Mardel que depois o substituiria na direcção das obras até à sua morte. A equipa da Casa do Risco constituída por Eugénio dos Santos, Mardel e Poppe, com A. C. Andreas e J. D. Poppe, traçavam a nova forma urbana elaborando novas demarcações dos terrenos e traçando infra-estruturas viárias e sanitárias. O traçado dos eixos viários e as hierarquias das praças, ruas e quarteirões tinham como objectivo “a liberdade do ar e da luz” definindo também em desenho a concepção da envolvente exterior dos edifícios, com cortes transversais e desenhos da fachadas. As soluções propostas tinham em conta aspectos como a salubridade, a segurança contra o risco de propagação de incêndios, causa pela qual foram destruídos a maior parte dos edifícios, e a segurança contra o risco de sismos. (José-Augusto França, 1989)

Em 12 de Maio de 1758 foi estabelecido por decreto o novo plano de reconstrução da baixa lisboeta definido as obrigações e direitos dos proprietários dependendo de cada caso e acompanhados de desenhos elaborados pela Casa do Risco. O desenho do Plano em quadrícula definida pelas ruas e quarteirões nela inseridos adaptava-se à topografia do terreno mantendo alguns quarteirões que pertenciam a Conventos, como por exemplo o Convento do Espirito Santo ou o de São Francisco, estabelecendo uma hierarquia de ordenamento urbano com base nas larguras das ruas. Esta hierarquia apresentada no Plano estabelecia a configuração das ruas principais, secundárias e travessas definindo a sua largura, passeios laterais e guardas, fazendo-se acompanhar do desenho modular das fachadas dos quarteirões em função de cada tipo de rua ou praça. Identificando-se nos cortes transversais a relação da fachada com cada tipo de rua definindo a profundidade, o número de pisos e a altura do quarteirão. (Maria Helena Ribeiro dos Santos, 2000)

No Chiado seguem-se as regras propostas para a zona da Baixa Pombalina, a geometrização dos traçados das ruas e dos quarteirões manteve-se embora ajustada à grande inclinação da encosta e a alguns quarteirões extensos pertencentes a Conventos. Algumas das pequenas ruas foram substituídas por edifícios em alinhamento com os quarteirões permanecendo o eixo central do Chiado anterior ao terramoto, a Rua da Porta de Santa Catarina conhecida actualmente por Rua Garrett. (José-Augusto França, 1989)

Planta Topographica da Cidade de Lisboa arruinada, e também segundo o novo alinhamento dos architétos Eugénio dos Santos, e Carvalho, e Carlos Mardel

(Figura retirada de João Pedro Ribeiro, Plantas Topográficas de Lisboa, Atlas de Lisboa, 1993)

No entanto as pressões das encomendas particulares da nova população do Chiado, a burguesia ascendente com um perfil social e económico diferente, irão introduzir novos valores no Plano original e criar uma nova tipologia de palacete que retoma os valores barrocos do eixo portal/Janela e a introdução de alguns elementos decorativos nas fachadas. Para além da criação de uma nova dinâmica na malha urbana com a introdução de pequenos largos como o do Teatro São Carlos e da casa nobre do Barão de Quintela na Rua do Alecrim. Esta zona do Plano representa a adequação e a resistência por parte da elite social lisboeta perante os valores da Baixa Pombalina. (Inventário do Património Arquitectónico)

Carta topográfica de Lisboa, Planta nº 43, Filipe Folque, 1858

(Figura retirada de Arquivo Municipal do Arco do Cego, http://arquivomunicipal.cm-lisboa.pt/)

Ao longo dos tempos foram surgindo os hotéis, os cafés, os restaurantes e as livrarias transformando o Chiado na zona mais popular, concorrida e elegante da capital. A dinâmica cultural do Chiado intensifica-se com a construção do Teatro de S. Carlos, surgem novos cafés, novas livrarias, clubes sociais, novos teatros e mais tarde cinemas. Até aos anos 60 do séc. XX o Chiado era o centro da cultura e de lojas de requinte da cidade de Lisboa, vindo a partir dessa data a perder grande parte dos seus habitantes para a ocupação de escritórios e comércio. (História da Junta de Freguesia dos Mártires)